segunda-feira, 22 de julho de 2013

Self

Você teme a rejeição. Amado por todos um pouquinho, um de cada vez, todos ao mesmo tempo. Sem inimigos, não lhes da chance de se formarem. Nunca num lugar por muito tempo, seu jeito é não ter jeito.Você não pede desculpas, nem pede que peçam. Muda mais do que a água, flui mais do que o ar, queima mais do que o fogo, nada da terra. Não encontra num padrão a solução, você não segue o padrão. Você não quer uma conclusão, foge antes de qualquer resolução sobre si. Você teme a rejeição, mas não teme a solidão.

Por Vinícius Gouveia

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Solitária Aphrodite


meu ciúme é a prova do amor
que nao tenho por ti
desses que amam com garras
nao a essência, mas sim o frasco

um amor equivocado
nao errado, porém torto
e que me mata, porque sou amante
de um jeito ou de outro

um tanto louco, sim eu sei
mas como pensas que é o paraíso
se nao derramado de corpos nús
sem que haja nenhuma lei?

e mesmo que nao seja
que direito tenho eu
de reclamar a tua alma
que a vida clama e almeja
como um Deus, que é mais e maior
do que o amor de uma mãe por um filho seu

Sou humano em tantos erros
mas a soma dos erros me liberta
e se nao liberta, que acorrente
reencarno novamente
para amarte sobre a Terra

domingo, 7 de abril de 2013

Meia Noite em Paris (2011)


Meia Noite em Paris (Midnight in Paris) – 2011
Woody Allen
            Desde que suas produções migraram para a Europa, em 2005, Woody Allen vem nos presenteando com grandes filmes. Meia noite em Paris (2011) é mais uma bem sucedida obra do diretor, que reafirma sua maestria, porém conserva o conforto de que ser um artista consagrado lhe dá.
            Gil Pender (Owen Wilson) é um escritor americano, que está cansado de escrever roteiros pobres para o cinema hollywoodiano, e está em Paris a passeio com sua noiva Inez (Rachel McAdams), aproveitando a oportunidade de estar na cidade para que a mesma lhe traga a inspiração que lhe falta em concluir seu novo trabalho. Então Gil resolve dar um passeio e exatamente a meia noite a magia acontece, o mesmo volta ao passado e encontra-se pessoalmente com grandes artistas como Ernest Hemingway (Corey Stoll), F. Scott Fitzgerald (Tom Hiddleston), Gertrude Stein (Kathy Bates), entre outros, que o influenciam em sua arte e ao mesmo tempo em sua vida pessoal. Ao que parece de início, o roteiro é bastante simples, e realmente o é, Allen se apropria da rotina do cotidiano, dos questionamentos pessoais, do real fantástico, da atemporal Paris, dos diálogos inteligentes da comédia irônica para nos apresentar um filme rico em detalhes e interpretações. Logo de início nos é apresentada a Cidade Luz, desde o dia até a noite, com chuva e com sol, com planos curtos e uma trilha extra diegética, como que em cartões postais. Mais do que apenas ver a cidade temos a sensação do que é Paris, do clima que a envolve, e sempre que o diretor quer nos trazer essa sensação novamente, a mesma trilha surge, “costurando” toda a diegese. Retratar a cidade de Paris é sempre um desafio para qualquer diretor, pois ela já foi exposta de forma brilhante por vários outros cineastas renomados em “Paris, te amo” (2006). Allen utiliza da fantasia para mostrar uma Paris diferente, intelectual e efervescente, não poderia ter feito escolha melhor, Paris é atemporal e adaptável em sua arquitetura e cultura, tanto aos anos 20, e até mesmo antes disso, quanto nos dias de hoje. Os diálogos entre os personagens são a chave para compreender a obra, nele o diretor faz uso da paralepse e fornece sinais do rumo que a mimese irá tomar, como por exemplo, quando o personagem Paul (Michael Sheen) compara o protagonista com Miniver Cheevy, que é um poema narrativo escrito por Edwin Arlington Robinson, de 1910, relatando a história de um romântico sem esperança que gasta seu tempo pensando como seria sua vida se ele tivesse nascido antes, algumas cenas depois Gil é levado ao passado. O diretor aproveita a metaficção para fazer suaves críticas ao modelo hollywoodiano de cinema, além disso, a história que o personagem escreve se mistura com sua própria história, na tentativa do diretor em mostrar que apenas ser detentor do saber, ou melhor, fazer museologia da arte de nada vale, a arte tem que influenciar diretamente em nossas vidas. Pelo mesmo motivo Gil chama Paul de pseudo intelectual e não o suporta. Também faz críticas sutis ao eterno confronto entre franceses e ingleses, como por exemplo, no diálogo entre o casal Gil e Inez e os pais de Inez, onde o pai diz não ser nenhum pouco francófilo, e em outra passagem quando Gil pede auxílio para encontrar seu hotel, mas o jovem casal não o ajuda, situação comum de acontecer na França, caso você peça em inglês. A sutileza parece ser bem vinda nesta obra de Woody Allen, um cômico sutil, um drama sutil, um romantismo sutil, até mesmo a fantasia pode-se dizer que é sutil, no sentido de que tudo parece se encaixar sem muita preocupação, e assim o diretor conduz sua obra, com pitadas de sutilezas que fazem toda a diferença. Interessante também mencionar a relação do objeto “carro antigo” dentro da diegese, pois é o carro responsável por leva-lo para dentro da fantasia, antes as badaladas e depois o carro. Atentando as repetições, a música de Cole Porter, que diz “let’s fall in love”, o cantor é a ligação de Gil com Gabrielle (Léa Seydoux), no final Gil rompe com a noiva e encontra-se com Gabrielle. Um desfecho cômico, onde tudo se resolve, mas é justamente esse modelo híbrido de cinema que agrega mais valor a sua obra.

        Na época, aos 75 anos de idade, Woody Allen dispensa reinvenções e a necessidade da auto superação, sua obra tem algumas rupturas de seus próprios modelos, mas não vai muito longe. Meia noite em Paris é um filme sem exageros que causam enjoo, é “degustado” aos pouco e por poucos.  


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Ainda estamos, onde estamos (?)


Ninguém vai entender o universo
Nem o mais distante
Tão pouco o invisível
Aquilo que aprendi ontem já morreu

Era luz, agora virou poeira espacial
E outra vida inteira se vai
Diante dessa revelação
Vou lhes contar um segredo

Sou cobaia de mim mesmo
Experimento minhas teorias
Me lanço ao erro e a loucura
Para um dia quem sabe
Me livrar de tudo

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pra você, com carinho

eramos dois perdidos 
talvez eu fosse ainda mais
personagens de um enredo comum 
em núcleos distintos, que se encontraram sem querer

um encontro, dois beijos
e três anos se passaram
sem saber quem esperava por quem 
ou quem era quem

te vi um amigo, uma boa pessoa
isso parecia suficiente
mas foi além e transbordou
de um pro outro como uma troca mútua

agora estamos inundados de um sentimento 
que ainda não tem nome
data de início ou fim
apenas existe e persiste

E eu me dou 
sem que você precise
cravar os dentes em mim
ou reclamar espaço 

Pois nesse momento
De decisões e indecisões 
Levados adiante pela incerteza
Você tornou-se aquele algo bom
Que faz a diferença
Nos meus dias tão normais

terça-feira, 22 de maio de 2012


Não pense, apenas engula
Não sinta o gosto
Apenas o efeito que isso causa em você
Deixa que as coisas passem pela sua mente
Não foque exatamente nelas
Buscando algum entendimento
Você verá mais e melhor
Usando sua visão periférica
Não perca o controle
Que a falta de controle te dá

O mal não existe
A lógica do tempo que é malvada
O entendimento só chega na hora da morte
Perdoai


terça-feira, 27 de março de 2012

Cemitério de Paixões

É preciso gritar para dentro, e além
Mas não há ninguém para ouvir
O eco abafado se propaga até findar
Quem morava ali se foi e já faz um tempo
Em algum lugar entre o céu e o inferno
Deve agora morar

Fluindo e sendo atravessado por aquele silêncio 
Vejo rostos apagados com violência pelo tempo
Flores secas pelo chão e outras
Ainda vivas em vasos de lágrimas

Fecho os olhos e mergulho neste pequeno riacho
Ali há paz e tudo parece ainda mais bonito e sagrado
Mas é preciso respirar
Nem que seja por um breve momento
Existe sempre e insistentemente o suplico do ar

Ainda de olhos fechados e rosto úmido
Com um sorriso nos lábios salgados
Eu penso, esse homem há de voltar
E mais alguém além dele
Irá também habitar este avesso

Talvez esteja com medo das sombras 
Do barulho das ondas e do vento
Dos ciclos das estações e do universo
O escuro é infinito, não se pode confiar
E qualquer outro sentido mais humano nos trai

Acalma teus pés de andarilho que sangram
Que teu tesouro é ouro puro e reluz no brilho do sol
Cava-te com cuidado e lapida tua alma
Verás a face de Deus
Através de um espelho sorrir para ti


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Voilà


Eu era um pássaro. Eu sabia que era eu, mas eu via tudo por cima. Eu via tudo de longe, pelos olhos do pássaro, mas era eu. Eu voei durante horas, por que foi a melhor sensação que eu poderia ter experimentado em toda a minha vida de homem e de pássaro. Os lugares, as pessoas, pessoas e lugares são vida. Eu via a vida de cima, como Deus, por que ver tudo de cima tem uma beleza diferente, sagrada, e quanto mais alto, mais nos aprofundamos no sagrado. Num dos meus dias normais de pássaro eu vi minha família, meus pais, meu irmão, meus amigos, eu sabia que eram eles, vivendo sem mim, mas isso não me incomodava e a falta de incomodo me incomodou profundamente, mas pássaros não precisam de respostas, só precisam voar pra lá e pra cá, porque poder voar é mais do qualquer coisa, então não podemos reclamar, essa é a lei dos pássaros e eu aprendi isso depois de muito tempo nessa nova vida. Pássaros não se rendem e tem sono leve, vivemos com o medo constante e acho que todos já sabem de que. Durante uma manhã, não qualquer, pois cada manhã é diferente na vida de um pássaro, eu caí numa armadilha. Fui levado e engaiolado e eu tenho certeza que quase morri neste dia, por que meu coração era pequeno e o susto que tive quando vi o que vi foi tão grande que senti uma dor aguda que me fez cair na tigela de água. Entre as barras grossas da gaiola, estava o rosto da única mulher que amei quando era homem. Tivemos um romance intenso, cheio de carências que se destacavam mais que o amor e isso rendeu muito sofrimento para ambos. Até o dia que ela foi embora sem dar uma palavra, sem dizer adeus e sem dizer para onde e por que. Os homens precisam de respostas, pássaros não, só precisam voar. E justamente ela, havia me tirado aquele direito enquanto pássaro, como também me havia tirado o direito de amar enquanto homem. Para viver um homem precisa amar alguém e alguma coisa ao mesmo tempo, o que é bem mais complicado que voar quando se é pássaro, aprende-se rápido e com o tempo torna-se mecânico e só realmente entendemos o valor de poder voar quando somo aprisionados. Essa frase me soa tão humana e clichê. Será que eu poderia suportar, aceitar viver o resto dos meus dias daquela maneira, tendo água, comida e amor, mas sem poder voar. E mais uma vez essa frase me soa tão humana que eu preciso olhar para minhas patas e crer que ainda sou pássaro. Não importa quão grande seja sua gaiola, ou um viveiro enorme, é preciso ver as coisas de cima, do alto, saber que não há fim no horizonte e que ele é de todos que podem voar e ver as coisas do alto. Mas eu me sentia tão homem ainda. Ser pássaro é tão divino que eu não suportava o peso. Então, pela primeira vez nessa vida de pássaro eu desejei ser homem de novo. Desejei isso porque enquanto pássaro tocamos o divino muito rápido e isso assusta, mas enquanto homem eu posso descobri-lo aos poucos, e isso é extraordinário. Então eu entendi. O amor entre os homens é equivalente ao voo dos pássaros, mas não a mecânica e a aerodinâmica, é a possibilidade de voar, a sensação de voar, o olhar de cima, é o sagrado. Após meses, eu acordei do coma. Havia sofrido um acidente de carro e sobrevivi por um milagre. Quando abri os olhos, eu vi entre as barras grossas da cama do hospital, a mulher que eu tanto amei. Ela havia lido no jornal sobre o acidente e me procurado. Casei-me com ela alguns anos depois, quando eu já tinha condições e força suficiente para empurrar a minha própria cadeira de rodas.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Não há amor nos bares


Não há amor nos bares
Nos carnavais de hoje
Nas esquinas de ontem
A vaidade é excitante
Mas não conquista
Não sustenta o peso de alguém que já amou
As pessoas que vejo naquele balcão
Bebem, se embriagam em demasia
Pedindo doses de vida
Digerindo pequenos goles de fé
Nas segundas feiras há sempre o gosto ruim
Memória distorcida, lembrança já esquecida
Insistentemente e invitavelmente
Acorda uma carência a pouco adormecida

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Como ele veio parar aqui?


Tenho 31 anos, meu nome pouco importa, não faria diferença nenhuma, qualquer pessoa poderia estar contando essa história. Sou uma mulher comum, com pensamentos e atitudes incomuns, e isso muda tudo, mas meu nome pouco importa. 
Há mais ou menos uns dois anos, após várias tentativas frustrantes na vida real, resolvi dar uma chance ao mundo virtual e iniciei uma conversa com um homem que julguei de perfil interessante. O meu perfil era simples, poucas fotos, poucas informações, sempre tive medo, não medo de expor as informações como se alguém fosse usá-las para sequestro ou coisa do tipo, não, medo de me expor demais e ninguém realmente se interessar. Sempre fui estranha, cheia de limites, limites na cama, nojo de muita coisa, mania de limpeza, quase um “toc” na verdade, nunca fiz sexo anal, coisas horríveis passam pela minha cabeça e eu jamais iria conseguir fazer sexo oral neste mesmo homem novamente, este já foi um grande progresso da minha parte. Ficamos na virtualidade por alguns meses, mensagens de texto, ligações, e-mails. E confesso que esse amor virtual estava me deixando quase uma mulher completa, me sentia bem, amada, realizada e não precisa vê-lo pessoalmente, dividir minhas coisas, meu apartamento, minha cama, nada, era perfeito. Até o dia em que ele simplesmente sumiu, seu perfil havia sido deletado, o celular sempre desligado, foi um choque para mim, passei alguns dias sem conseguir sair da cama, somente levantava para tomar banho. Nunca havia passado pela minha cabeça encontrá-lo pessoalmente, eu sempre evitei isso. Eu tinha certeza que quando saíssemos pela primeira vez, em qualquer lugar que fôssemos eu iria errar de alguma forma. Na virtualidade éramos vaidade e eu morria de medo de tirar essa pele. Deitada na cama, tomei uma decisão: eu iria procurá-lo. Não era mais tão jovem assim, não podia e nem queria desperdiçar essa chance. Mandei uma carta para o endereço que havia me fornecido na primeira vez que me convidou para jantar em seu apartamento. Senti-me ousada ao extremo, não sabia se havia encontrado outra pessoa, se havia mudado de cidade, se havia morrido e no final da carta ainda pedi que não me respondesse o convite, que caso não comparecesse eu iria entender. O convite era para um jantar, em meu apartamento, no fim de semana que estava por vir, um sábado à noite.  Senti-me viva novamente, fui ao shopping, ao cabeleireiro. No dia combinado eu organizei tudo, cozinhei, decorei a luz de velas, comprei vinhos e queijos. Tudo estava perfeito, só faltava ele. Faltava? Confesso que em certos momentos eu até esquecia que era para ele tudo aquilo. Pois bem, alguns minutos antes do combinado a campainha toca, e era ele, isso me irritou um pouco, pois tive que me maquiar as pressas. Trouxe-me flores, deveria ter pensado nisso antes, em minha casa só havia flores de plástico, mas tudo bem, seriam as primeiras, coloquei em um lindo vaso próximo a janela da sala. Eu não sabia por que, ou sabia bem, não estava me sentindo a vontade, na minha cabeça eu achava que aquilo era um erro, que forcei demais a mim mesma. Enquanto aquele homem sentado em minha frente comia e falava, comia e falava, eu travava uma luta interna. Até o momento em que fui vencida. Quando ele acabou de comer e sorriu dizendo que a comida estava ótima, eu vi um pedaço da salada grudada em seu dente. Foi o fim. Eu não conseguia mais prestar atenção em nada, aquele pedaço verde aparecia quase sempre, por que ele falava sorrindo e isso me irritava ao extremo, eu tive nojo daquele homem, nojo de ele estar em minha casa, nojo da comida, não conseguia mais comer, nem beber nada, este ato representava trazê-lo pra dentro de mim, e eu não era capaz. Numa questão de segundos, um filme passou pela mente, lembrei-me de todos os meus ex-namorados, lembrei-me de como nossos relacionamentos eram superficiais, não havia intimidade, era um sexo sem intimidade, com limites, um sexo com vergonha do meu sexo, mas era também o único momento em que se podia dizer que estávamos juntos, pois fora da cama eu tinha o meu mundo e eles o deles. Nunca usei o banheiro na frente de algum deles, nunca limpei nariz ou espremi espinha e cravos deles nem eles a mim, nunca cortei unhas deles, nunca comi do prato, ou algo já mastigado, ou parte de algo já comido, nunca lavei cuecas deles, nunca deixei a mostra por muito tempo as partes do meu corpo que não gosto, como uma cicatriz que tenho nas costas, nunca me depilei na frente deles, um monte de “nuncas” nos distanciava. Eu comecei a me questionar se essas atitudes realmente são necessárias em um relacionamento, se essa falta de pudor é realmente bem vinda, se isso contribui de alguma forma para unir duas pessoas, se isso é demonstração de amor e carinho. E aquele homem que eu dizia que estava apaixonada perdidamente estava ali na minha frente, e quem era ele afinal? Eu não ouvia nada do que ele dizia. Num impulso, que não sei de onde veio, me levantei e beijei sua boca, foi um beijo que nunca havia dado na vida, com muita língua e saliva. No fim, o pedaço verde em seu dente não estava mais lá, e eu estava feliz, talvez eu tivesse até engolido. Por incrível que pareça não tive nojo. Bebemos mais vinho e nesta noite fiz o melhor sexo da minha vida. Durante o sexo lembro que engoli um pêlo dele, foi nessa hora que eu tive a certeza que estava perdidamente apaixonada e que ele agora fazia mais parte de mim do que a minutos atrás.
Para minha decepção tudo não havia passado de um sonho. Nunca mais vi aquele homem virtual. Conheci meu marido em um restaurante barato aqui perto de casa. Estávamos almoçando, ambos sozinhos, com mesas bem próximas e ele não parava de fazer sinal para que eu tirasse um pedaço de salada que havia grudado em meus dentes.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Do meu samba



E o samba toma conta de mim. Construo um letra, uma melodia, pode ate ser de amor, mas nunca triste. Quem tem o samba no pé leva também o sorriso no rosto. Posso falar o que quiser, o samba é assim, nele cabe tudo. Cabe eu, cabe você e até nos dois juntos, só basta querer. Minha vida é um samba. De muitos acordes, só pra enfeitar, sem cair na cafonice. Tudo que escrevi até hoje pode vir a virar samba, é sempre assim, ninguém morre de amor. Ainda ontem fiz um samba para pedir perdão. De peito vazio, escrevo samba pros amigos, das coisas boas que vivi e dos lugares que conheci, de todos eles foram nas rodas de samba onde fui mais feliz. Hoje levo no choro da cuíca a dor de um amor romântico. Um partido-alto que mesmo sem ter partido nenhum, não me quis. Ah, o samba, meu samba. Se minha vida um dia virar enredo de escola e ecoar na avenida, que cada carro alegórico leve o nome de um grande amor que tive, essa será minha última homenagem. Pois eu sou e serei amor até a última batida. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Ninguém Quer Um Bom Partido


O que eu não entendo
É porque não sou bom partido
Se preencho todos aqueles pré-requisitos
Quais são os teus?
Podem até ser infinitos

Ego ferido
Dores de um amor romântico

Ainda sinto o gosto ácido
Das tuas palavras em minha boca
Da tua boca na minha
Do teu arrependimento silencioso, malicioso
Me corroendo, ardendo, gritando, pulsando


E dentre os mortos e feridos
Estou eu
Fui atingido no coração
Diabo, travestido de Cupido
Eu vi que havia um calibre 32 em tuas mãos

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O homem triste


Eu não lembro quantos anos tinha quando dei meu primeiro beijo. Também não lembro quem foi, nem onde foi.
Quando completei meus 18 anos, conheci meu primeiro namorado, ficamos juntos quase quatro anos. Pouco tempo depois que rompemos, conheci meu segundo, ficamos juntos por volta de dois anos.  Eu não queria ter vários namorados. Acabei me fechando um pouco para relacionamentos, pois queria que o próximo fosse o ultimo, mesmo que não preenchesse todos os pré-requisitos inconscientes da pessoa perfeita, baseados nos erros e defeitos dos amores do passado.  Além disso, eu já não era mais tão jovem e sabia que não poderia experimentar o amor novamente pelo simples sabor de um gesto. Mas o próximo sempre será o último. Eu era um inocente clichê. Durante uns dois anos, continuei só, isso não quer dizer que não tenha me apaixonado, paixão pode ser de um só, mas amor é pra dois. Acabei tendo relacionamentos de isopor, daqueles que duram no máximo um mês ou menos que isso.
A cada ano que passava achava cada vez mais difícil viver outro relacionamento sério e que não tivesse uma data de validade escondida em algum lugar. Tentei compreender a mim e a alma das pessoas, o amor, o comportamento, tudo, através dos livros e da arte. A grande massa masculina é totalmente previsível, o homem é pura vaidade. “Quero conhecer a feiura e amar uma exceção”.
Em um dia qualquer, numa rua qualquer, não lembro bem o motivo que me levara ali naquela hora e nem onde deveria ter ido. Recordo que foi exatamente neste caminho que vi o homem triste. Ele passou por mim e sorriu. Instantaneamente comecei a segui-lo. Não tentei me esconder entre as pessoas, ou evitar seu olhar quando voltava o rosto para trás, pelo contrário, acho que se soubesse seu nome teria gritado, andava rápido e em alguns momentos estendi minha mão para não o perder de vista. Sem saber exatamente para onde estávamos indo, me deparei com o homem triste parado em um beco sem saída. Cheguei o mais próximo possível daquele homem, ele não disse nenhuma palavra e eu tão pouco, estava completamente perdido dentro daquele olhar. Inexplicável, mesmo com um lindo sorriso no rosto, aquele homem me parecia extremamente triste, como se uma lágrima fosse cair de seus olhos a qualquer momento, não conseguia parar de procura-la dentro deles. Cheguei bem perto do seu rosto, queria mergulhar naquela piscina azul. O beijo foi inevitável. Em alguns momentos rápidos eu sempre abria meus olhos à procura dos dele, que estavam fechados. Beijar alguém de olho aberto é quase uma falta de respeito, pensava eu, então tornava a fecha-los. Foi impossível não se apaixonar por aquele homem lindo e triste, mais pela tristeza do que pela beleza. 
Antes de sairmos dali ele resolveu quebrar o gelo e trocamos algumas poucas palavras. Eu queria ver aqueles olhos úmidos mais uma vez. A única coisa que consegui fazer a vê-lo sair foi expressar através do olhar a tristeza que estava sentido por sua partida. Talvez seja ridículo pensar assim, mas acho que foi exatamente neste momento, de alguém imerso em tristeza, que ele realmente gravou minha imagem em sua memória.
No mesmo dia, à noite, assim que cheguei a minha casa, acessei meu facebook e vi que havia uma nova solicitação de amizade. Poucas fotos. Nada que revelasse muita coisa.
Essa história não tem um grande fim. Nunca soube realmente o motivo da tristeza desse homem e nunca toquei no assunto ou o questionei a respeito. Sempre que fazíamos amor eu terminava em lágrimas e orgasmos, fixava meus olhos nos dele e via uma lágrima rolar em algum lugar lá no fundo, isso me emocionava e me fazia ama-lo mais que a mim mesmo. Foram sempre nesses momentos que eu dizia que o amava. O “eu te amo” saia da minha alma, como se quisesse protege-lo, como se traduzisse “eu te compreendo”, como se quisesse um pouco daquela tristeza pra mim para que ele não sofresse tanto sozinho. Eu era completamente dele nessas horas. O homem triste achava estranha minha reação, se assustou alguns momentos, mas depois acabou por se acostumar. Após alguns anos decidimos morar juntos, e fomos muito felizes nessa época. Talvez tenha sido exatamente esta felicidade o motivo do nosso fim.

Perfumes e Amores

Senti o perfume. O seu perfume de tempos atrás. Acredito que hoje não seja mais o mesmo, com certeza já mudou de cheiro...assim, para afirmar a si mesmo e aos outros, de uma forma muito discreta, como toda atitude vaidosa sua, que alguma coisa em você esta diferente. Uma mudança de dentro para fora, como se o novo perfume exalasse de sua alma e não de seu corpo. Então, sabendo que corria o risco, resolvi me por a prova e fui traído pelo meu próprio olfato. No mesmo instante que senti o aroma, na velocidade de uma inspiração, o ar chegando aos meus pulmões e o cérebro, naquela mesma fração de segundos, trouxe ao mesmo tempo as lágrimas nos meus olhos e a sensação que senti no dia que te conheci, aquela felicidade anestesiante, que sai arrancando a velha pele da alma, porém não se sente dor, somente prazer...prazer.  

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Seis Meses



Seis Meses. Este é o tempo, de acordo com a lógica humana, que estou trabalhando a bordo de um navio de cruzeiros, ainda me restam mais dois. Sinto que tudo que poderia ter absorvido desta experiência já o foi, espero estar enganado. Verdade que as mãos que seguram o papel e a caneta já não são tão delicadas como antes, está mais calejada.  Tento ao máximo segurar os tantos “porquês” presos na boca e aceitar o “por enquanto” que me é dado de consolo.
Eu, que me achava tão companheiro de mim mesmo, senti falta do afeto indireto das pessoas queridas que ficaram longe, tornei-me um poço fundo cheio de saudades, hoje, neste sexto mês, sinto que a saudade ainda existe, porém transformou-se em um tipo estranhamente feliz.
Amizades realmente são somadas e muitas vezes multiplicadas, amores são sub-traídos e divididos.
A insegurança, o medo, a angustia e principalmente a carência afetiva fazem com que você troque tudo que tem por uma possibilidade de ter aquele algo desconhecido em um futuro próximo que nunca chega.
Não me achei em nenhum dos lugares que visitei, talvez não tenha realmente procurado com afinco, mas agora eu vivo em todos eles.
Me apaixonei perdidamente...mentira, só me apaixonei. É que eu tenho essa mania de querer dar uma maior ênfase aos fatos quando falo de amor. É a alma do poeta que se sobressai. Bem...poderia me extender bem mais neste ponto, mas Nietzsche me disse que “a exigência de querer ser amado é a maior das pretensões”(ponto final)
O que sinto agora é medo. Medo de olhar pra trás, de lançar os dados e voltar ao início do jogo, de pisar os pés em terra firme, pois eu sei que mesmo lá estando, jamais voltarei.

segunda-feira, 7 de março de 2011

"Porque a unica vantagem das pessoas que nascem sem vocação é a liberdade."